segunda-feira, 9 de junho de 2008

O DEUS ZELOSO
J.I. Packer

Quando Deus tirou Israel do Egito e o levou ao Sinai, para lhe dar a lei e o pacto, seu zelo foi um dos primeiros fatos que ensinou a respeito de si mesmo. A sanção do segundo mandamento, que foi dado a Moisés de forma audível e escrita "com o dedo de Deus" em tábuas de pedra (Êx 31.18), se fez com estas palavras: "Eu, o SENHOR, o teu Deus, sou Deus Zeloso" (Êx 20.5). Pouco depois Deus deu a Moisés o mesmo conceito, de forma ainda mais surpreendente: "o Senhor, cujo nome é Zeloso, é de fato Deus Zeloso" (Êx 34.14). Por se encontrar no lugar em que está, este texto se torna grandemente significativo. Fazer conhecido o nome de Deus - isto é, como sempre na Escritura, sua natureza e caráter - constitui um tema básico de Êxodo. No capítulo 3, Deus havia declarado que seu nome era "Eu sou o que Sou", ou simplesmente "Eu Sou", e no capítulo 6, "o SENHOR". Tais nomes faziam referência a sua existência própria, sua autodeterminação e soberania. Logo, no capítulo 34.5ss, Deus proclamara seu nome dizendo que o SENHOR é "Compassivo e Misericordioso, paciente, cheio de amor e fidelidade, que mantém o Seu amor ... perdoa a maldade ... castiga pelo pecado". Aqui, encontra-se um nome que destacava sua glória moral.

Finalmente, sete versículos mais adiante, como parte dessa mesma conversa com Moisés, Deus resumiu e desenvolveu a revelação de seu nome, declarando que era Zeloso (34.14). Está claro que esta palavra inesperada representava uma qualidade em Deus que, longe de ser incompatível com a exposição anterior de seu nome, era em certo sentido o seu resumo. E como esta qualidade era em um sentido verdadeiro seu "nome", é evidente que era muito importante que seu povo o compreendesse.

Na realidade, a Bíblia fala bastante sobre o zelo de Deus. Há outras referências a isto no Pentateuco (Nm 25.11; Dt 2.24; 6.15; 29.20; 32.16, 21), nos livros históricos (Js 24.19; 1 Rs 14.22), nos profetas (Ez 8.3-5; 16.38, 42; 23.25; 36.5ss; 38.19; 39.25; Jl 2.18; Na 1.2; Sf 1.18; 3.8; Zc 1.14; 8.2), e nos Salmos (Sl 78.58; 79.5). Tal fato se apresenta constantemente como motivo para a ação, seja em ira ou em misericórdia. "Serei Zeloso pelo meu santo nome" (Ez 39.25); "Eu tenho sido muito Zeloso com Jerusalém e Sião" (Zc 1.14); "O SENHOR é Deus zeloso e vingador" (Na 1.2). No Novo Testamento, Paulo pergunta ao coríntios insolentes: "Porventura provocaremos o ciúme do Senhor?" (1 Co 10.22).

Tradução livre de PACKER, J.I. El conocimimento del Dios Santo. p. 217-218

2 comentários:

Vinicius disse...

Tiago, esse livro tem em português também, não tem? eu tenho aqui na biblioteca da igreja, chama O Conhecimento de Deus. Abração.

Tiago Abdalla disse...

Oi Vini,
tem sim, é esse título mesmo. Por sinal, é um ótimo livro. Vale a pena ler.
outro abração!

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